Monitorização de Mega Riscos

Conforme o crescimento populacional acelera e os recursos naturais se degradam a um ritmo PROGRESSIVO o ecossistema terrestre, do qual o ser humano é parte INTEGRANTE, entra num estado de stress CADA VEZ MAIOR acompanhado do potencial de conflito que esse estado gera.

Veja aqui os últimos dados disponíveis:

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O QUE É?

A Monitorização de Mega Riscos é um projecto de investigação integrado no Think Tank da ARS. É focado na identificação e análise de tendências globais de risco, prioritárias e no respectivo potencial de impacto negativo ao nível regional. A análise é conduzida por um coordenador de projecto da ARS em estrita colaboração com especialistas das várias áreas em questão. Consulte no relatório acima os últimos dados disponíveis e encontre abaixo a explicação de cada uma das categorias.

QUAIS SÃO OS MEGA-RISCOS?

1. CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO ACELERADO

Nos últimos 60 anos, a população mundial aumentou 180% (de 2.5 mil milhões para 7 mil milhões) (ONU, 2013).
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Projeções de crescimento populacional global (ONU, 2013)

A hipótese do crescimento populacional se poder tornar um factor de crise planetária é uma ideia actualmente debatida pela comunidade internacional (AEA, 2011). A falta de consciencialização e planeamento para a acomodação deste fenómeno deixa espaço para a emergência de conflitos em múltiplas escalas. É, pois, essencial reflectir sobre a questão de forma ética e sensível, procurando salvaguardar simultâneamente os direitos humanos e a qualidade de vida das comunidades.

2. DEGRADAÇÃO ACELERADA DE RECURSOS

É de facto provável que nos próximos anos venhamos a assistir a um aumento extremo do nível do mar caracterizado por resultados imprevisíveis, severos ou até catastróficos (IPCC, 2013).
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Monitorização de extensão de gelo polar – min. de verão 2015 face à média entre 1980-2000 (NOOA, 2014)

Actualmente o oceano glaciar Árctico está a degradar-se a um ritmo de 13% ao ano* (NOAA, 2014), não sendo este nem o único nem o pior dos indicadores de degradação ambiental à escala planetária. Quando os limites críticos de um sistema ecológico são ultrapassados, este deixa de ser resiliente e colapsa para um estado qualitativo diferente. Para além das implicações ambientais, este fenómeno é mais um multiplicador do potencial de conflito e de graves consequências económicas.

Ao nível local podem ser implementadas mais acções de protecção do ambiente e deve ser acelerada a execução das acções já existentes. Acreditamos que tais acções não só permitirão identificar factores críticos para o sucesso do desenvolvimento da região de Lisboa como trarão melhorias nos cenários de segurança globais, sobretudo se puderem ser replicadas noutras regiões.

3. COMPLEXIDADE DA INDÚSTRIA FINANCEIRA

A inovação tecnológica, desregulamentação e a transformação institucional no sector financeiro resultaram no posicionamento mais eficiente, profundo e complexo da banca de investimento e suas derivações no tecido económico global (Rajan, 2005). Deste fenómeno resultou numa omissão de risco de escala global e sem precedentes, com impactos devastadores na economia real.

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Só nos Estados Unidos, entre 2008 e 2011, este fenómeno causou 26 milhões de desempregados, a perda de casa a 4 milhões de pessoas e o desaparecimento de 11 triliões de dólares em poupanças e reformas (US-FCIC, 2011). A crise económico-financeira constituiu a maior recessão global desde a Grande Depressão e contribuiu de forma fundamental para a crise das dívidas soberanas que os cidadão europeus ainda estão a pagar (CEU, 2013).

Um factor determinante deste processo catastrófico nos Estados Unidos foi a capacidade de lobbying da indústria financeira sobre os legisladores do governo (US-FCIC, 2011).

A chave para que estes fenómenos não se repitam e se tornem calamidades públicas das quais é extremamente difícil recuperar, está na capacidade dos cidadãos e governos entenderem a natureza das corporações financeiras transnacionais e a sua influência na sociedade afim de a poderem gerir.

4. RISCOS CIBERNÉTICOS

Através da conectividade global das pessoas, da omnipresença de tecnologias de informação no quotidiano e subsequente produção de informações residuais sobre as mesmas (meta-dados) existem mais mecanismos e capacidade para entender e prever os comportamentos e objectivos dos indivíduos, comunidades ou nações.

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A recolha e análise massiva de meta-dados sociais em muitos casos constitui uma “intromissão arbitrária na vida privada dos indivíduos e das comunidades” (PEU, 2013), o que viola o artigo 12º da Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948).

Ainda que tenha sido aprovada legislação recentemente ao nivel europeu, ela está ainda ausente em muitos países o que viabiliza que nações ou organizações: i) tirem vantagens ilícitas do ponto de vista político, económico, tecnológico e social, ii) que desequilibrem perniciosamente o campo de jogo entre o indivíduo e as organizações e, no limite, iii) desenvolvam formas de engenharia social de massas.

Este fenómeno pode comprometer as liberdades fundamentais de indivíduos, de comunidades e inclusivamente de nações sendo, por conseguinte, urgente debater estas questões na sociedade civil, nomeadamente, com vista à produzir acções locais que consciencializem a comunidade da região de Lisboa para possíveis violações dos seus direitos humanos e a capitalização económica e política das mesmas.

5. RECESSÃO DEMOCRÁTICA

Se não cuiddarmos da democracia, teremos que cuidar da falta dela

Desde a crise económico-financeira a qualidade da democracia regrediu em muitos estados, nomeadamente nos Estados Unidos e na Europa. Não só devido ao crescimento e eleição de candidatos e partidos populistas e ideologicamente extremistas, bem como devido a questões relacionadas com a corrupção e as ligações entre o sistema legislativo e os grandes grupos económicos. A ARS considera que é necessário esclarecer a sociedade civil para que possamos todos ser agentes nesta mudança monitorizando  e exigindo uma democracia mais transparente nas nossas sociedades. chris-slupski-433343-unsplash

Referências:

Agência Europeia do Ambiente (Setembro de 2011) Economic Growth rather than population will be the core driver of consumption. http://www.eea.europa.eu/signals/signals-2011/earth-2050-global-megatrends/economic-growth-rather-than-population acedido Setembro de 2011

Comissão Europeia (2013) Proposta para directiva do conselho implementar aumento de cooperação na área da taxação de transacções financeiras 2013/0045 (CNS) , pp 2-4 , http://ec.europa.eu/taxation_customs/resources/documents/taxation/com_2013_71_en.pdf acedido a 10 de Abril 2015

EUA – Comissão de Inquérito à Crise Financeira (2011) Final report of the national commission on the causes of the financial and economic crisis in the United States USA-FCIC Washinton, January 2011. http://www.gpo.gov/fdsys/pkg/GPO-FCIC/content-detail.html

Organização das Nações Unidas (1948) Declaração Universal dos Direitos do Homem, Art. 12º Organização das Nações Unidas 10 de Dezembro de 1948. http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf

Organização das Nações Unidas (2013) World population prospects 2012 revision Nações Unidas / Divisão da População / Departamento de Assuntos Económicos e Sociais, Junho de 2013. http://www.un.org/en/development/desa/population/theme/trends/index.shtml

Parlamento Europeu (Junho de 2013) Proposta de Resolução 2013/2682(RSP) sobre o programa de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=MOTION&reference=B7-2013-0341&format=XML&language=PT acedido 10 de Abril 2014

Perovich, D et. al. 2014: Sea Ice [in Arctic Report Card 2014]. http://www.arctic.noaa.gov/reportcard acedido a 2 de Abril de 2014

Rajan, R. (2005) Has financial development made the world riskier ? Federal Reserve Bank of Kansas City (Jackson hole symposium) 2005. http://www.kansascityfed.org/publicat/sympos/2005/pdf/Rajan2005.pdf acedido 2 de April 2015

Stocker, T. et. al. (2013) Climate change 2013 the physical sciences basis – Summary for Policy Makers , pp 5, Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), Suíça Outubro de 2013http://www.ipcc.ch/report/ar5/wg1/